Category Archives: Médicos

Captação discreta

  Mais um PET, mais uma consulta e mais um resultado quase negativo.
Ainda apresenta uma “captação discreta” que é, provavelmente, de origem inflamatória. Portanto, até prova em contrário, estou bem.

Terei consultas em Abril e depois em Agosto, mas, desde que não hajam mais sintomas, não há mais exames nem furinhos nos meus braços.

Ufa.

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Resultados da radioterapia

Depois de todos os tratamentos de radioterapia deveria esperar 6 meses, pelo menos, para fazer um PET, para não correr risco de haver um falso positivo.

Mas nem eu nem a médica podíamos esperar tanto tempo. O PET foi marcado para dia 2 e, depois de uma falsa partida que me custou 2 horas e um braço negro, o exame foi feito com sucesso.

Muito ansiosa, fui hoje à consulta, com a minha mãe, que veio ao Porto de propósito, saber os resultados.

E a verdade é que continua tudo na mesma.

A minha mãe diz que são boas notícias, mas para mim ainda não são boas o suficiente.

O PET ainda tem um bocadinho de fixação, ou seja, ainda há sinal de qualquer coisa estranha. Não é uma fixação forte, não tem actividade e, o mais certo, é ser de origem inflamatória, referente ao tratamento de radioterapia. A médica está descansada, a minha mãe também. Eu… Não sei. Ainda não tenho luz verde e por isso ainda não respiro de alívio.

Até Dezembro ficamos assim: estou ok, não há medicação, nem tratamentos, nem preocupações de maior.

Depois volto a fazer exames e falamos novamente.

Updates e o IPO do Porto

Assim que entrei no IPO do Porto percebi que devia ter feito aqui todos os tratamentos. Aqui não há problemas de estacionamento, falta de informações, há senhas para tudo, não há grandes atrasos, há lugar para nos sentarmos à espera, as casas de banho estão em condições e, a cima de tudo, tem um sistema informatizado! Pois é, depois de estar horas à espera entre consultas porque o meu processo tinha de vir montado numa tartaruga de um departamento para o outro no IPO de Lisboa, no IPO do Porto o processo chega antes de mim.

Mesmo com as confusões por o IPO de Lisboa não ter enviado os meus PET para o Porto (ou ter enviado na tal tartaruga que nunca chegou), comecei a fazer radioterapia no dia 16 de Março, depois de uma consulta com a hematologista e duas consultas com a radiologista.

Depois da primeira consulta com a radiologista levaram-me a fazer mais um TAC. Pareceu-me muito normal – despida da cintura para cima, braços para cima da cabeça, dedos entrelaçados. Não respire, pode respirar.

“A Dra. disse-lhe que lhe vamos fazer umas tatuagens?” perguntou a técnica ao dirigir-se a mim com um tubo de tinta da china e um agulha na mão.

“Não.”

Mas tinham de ser feitas. Quatro pontinhos (dois no peito e um de cada lado do tórax) para que me possam alinhar sempre na mesma posição na máquina da radioterapia.

“Não que isso importe muito, mas são permanentes?” perguntei depois das tatuagens, quando acabaram de verificar os alinhamentos.

Sim, são. Uma lembrança desta luta – quatro pontinhos tatuados no tórax.

Tenho de fazer 20 sessões, 5 dias por semana, para ver se, finalmente, me livro disto. Em comparação com a quimioterapia a radioterapia não é mesmo nada – é como ir fazer um raio-x. O processo é tão rápido que entre entrar e sair do parque de estacionamento demoro menos de meia hora.

Num dia normal estaciono mesmo à porta do departamento e entrego o meu papelinho azul (onde está escrita a informação sobre o meu tratamento em específico, mas que não é necessário porque já fiz o tratamento sem ele. É usado como senha e para confirmação de dados) à entrada. Depois só tenho de esperar dois ou três minutos para que me chamem para o vestiário 3 (os vestiários estão numerados de acordo com a máquina em que se faz o tratamento). Aí dispo-me da cintura para cima, coloco a bata que tenho de trazer comigo todos os dias e encontro-me com a equipa de radiologia que me faz sentir muito à vontade e vai conversando comigo enquanto me posiciona na maca e me alinha com os lasers.

Deixam-me sozinha na maca e a máquina começa a rodar à minha volta: primeiro faz um raio-x para verificar que estou alinhada e como estão as coisas e, depois, começa o tratamento em si. Para além de ter de estar quieta nos cerca de 10 minutos que todo o processo demora, não custa mais nada, até posso estar de olhos abertos! No fim ajudam-me a levantar, entregam-me o papelinho azul novamente e dizem-me “até amanhã”.

E eu saio sozinha, a conduzir, como se nada se tivesse passado.

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Resultados

A Dra. que me atendeu no IPO de Lisboa, desta vez, chamou-me 2 minutos antes da hora – tão pouco provável que os meus pais ainda estavam a estacionar quando eu entrei para a consulta com o Rui.

Reviu brevemente o meu diagnóstico e os tratamentos que recebi. Depois passámos à análise dos exames.

O TAC mostra que o tumor continua a diminuir e que continuam a não haver metastases em lado nenhum.
Mas o PET apresenta ainda um ponto de fixação. É pequeno e, nos linfomas do mediastino, é normal demorar mais a não haver fixação.

No entanto, não podemos correr riscos e, por isso, a Dra. propôs que eu fizesse radioterapia.
Falámos sobre os riscos, os efeitos secundários, o tempo do tratamento e, no fim, concordei em prosseguir com o tratamento e fazer radioterapia no IPO do Porto.

Estou agora à espera que me liguem com a marcação da consulta com o Dr. José Mario Mariz, no IPO do Porto, para que possamos discutir e começar o tratamento de radioterapia.

Em princípio este tratamento demorará cerca de 3 semanas com tratamentos diários no IPO. No entanto a radioterapia não me impede de ter uma vida “normal”; segundo a Dra. posso até sair da radioterapia directa para o trabalho (se o tivesse)!

A luta ainda não acabou, mas, como o Rui diz, já consigo ver o homem da bandeirola axadrezada.

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8º e último (espero eu) ciclo de quimioterapia

Acabou. Ou pelo menos toda a gente espera que tenha acabado. É possível que o pesadelo tenha acabado assim tão depressa e que a minha vida possa voltar ao normal?

Na última consulta com a Dra. Joana Parreira a doutora informou-nos de que a partir de dia 15 de Janeiro já não estaria a trabalhar no IPO, mas que para mim não devia ser problema – ela está crente de que só terei de ir mostrar os exames e receber alta. Assim, fez já o pedido de transferência do meu processo (aquele de papel, sim, que tem de ser fotocopiado e depois enviado por fax e correio) para o IPO do Porto, para que me seja mais fácil fazer as consultas de seguimento.

Numa consulta um bocadinho mais longa do que o normal a Dra. voltou a afirmar que estava crente de que eu não precisaria de mais tratamentos, que os pacientes que mostram uma remissão tão grande em apenas 4 ciclos geralmente ao final de 8 estão curados, que eu continuo com óptimo aspecto e, por isso, não há razão para suspeitar que alguma coisa não tenha acontecido de acordo com os planos.

Antes de se despedir de mim, no entanto, a doutora explicou-me o que poderia acontecer na pequena probabilidade de eu não estar curada: radioterapia, auto-transplante de medula ou, em último caso, mais quimioterapia. Mas em princípio não preciso de me preocupar nem de pensar em nada disso.

Talvez tenha sido da excitação do Natal, ou por saber que era o último e tinha acabado, mas ao segundo dia de recuperação já não tinha enjoos, apenas o mal estar que é constante. Saí de casa todos os dias, jantámos fora e fomos às compras: afinal já estou curada.

Agora é só esperar. “Só”, como se não fosse horrível esperar na incerteza, sabendo que, por mais pequena que seja, há uma chance de que o pesadelo não tenha terminado.

Faço o próximo TAC de novo nos SAMS, onde tenho acesso quase imediato aos resultados, no dia 14 de Janeiro, no entanto o TAC não garante nada – o tumor pode ainda cá estar e eu estar curada na mesma. Mas pode cá estar o tumor e continuar a ser maligno. Isso só o PET, no final de Janeiro, o dirá.

Entretanto eu volto com parte da minha vida ao normal: volto ao Porto, recomeço a fazer exercício (devagarinho), e a ter as preocupações que tinha antes das minhas prioridades terem dado uma volta de 180º. Em Fevereiro terei certezas, até lá só posso mesmo esperar.

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5º ciclo de quimioterapia

E já vou a mais de metade do tratamento!

Depois de muitas confusões com os horários dos médicos do IPO e com o facto de que o meu processo, em papel, precisa de 3 horas para ir de um edifício para outro – deve precisar de crescer pernas primeiro – finalmente consegui ir à consulta com a psicóloga. A psicóloga foi bastante mais normal e humana do que eu estava à espera, baseada numa experiência que tive com 12 anos, e, embora tivesse interrompido a consulta para atender um telefonema interno, correu bastante bem. Deveria lá voltar em breve, mas ao olhar para a agenda a psicóloga percebeu que “em breve” queria dizer mais de um mês depois. Não é como se eu tivesse a fazer alguma coisa que precisasse de acompanhamento ou estivesse doente ou assim…

Levei depois o TAC da 4a sessão à Dra. Joana, para avaliarmos o progresso. Embora também esta médica tivesse de atender um telefonema a meio da consulta, explicou-me que o tumor tinha reduzido para menos de 1/5 do tamanho, ou seja, tinha 403 cm3 antes da quimioterapia e agora já só tinha 90 cm3! No entanto ainda não está pequeno suficiente para os médicos tradicionais me considerarem curada e terei de continuar a quimioterapia até Dezembro, como inicialmente previsto.
Ainda tentei fazer outro TAC depois da 6a sessão, para confirmar que realmente teria de fazer as 8, mas os médicos tradicionais são assim e as coisas são feitas, muitas vezes, mais pelo livro do que pelo resultado – normalmente são precisas 8 sessões, vou ter de as fazer.
Antes de terminar a consulta também perguntei sobre as dores de garganta que tenho tido, e sobre estar preocupada com ficar doente, especialmente depois de ter ficado já uma semana internada. Mas as análises estavam bem e a minha garganta só parecia um bocadinho mais vermelha do que o normal, portanto não era para me preocupar.
“Tem tido febre?” perguntou-me. Não, acho que não, mas não medi por não me sentir febril. A minha mãe pediu para eu me aproximar e encostou-me os lábios à testa. “Não, não tem febre” disse à médica. E a médica nem quis confirmar; que método tão científico! “Vá controlando, se tiver febre, vem ao hospital” disse a médica, com um ar descansado. Pois, mas se eu chegar a ter febre então tenho de ficar internada! Porque não me dão qualquer coisa antes? Perguntámos especificamente se eu podia, ao menos, chupar pastilhas para aliviar e desinfectar e assim. “Eu não tomo, não acho que façam muito, mas se quiser tomar…” Também não está a fazer quimioterapia, pois não?
A minha mãe tem estado preocupada com as aulas de Zumba e Bodyjam que eu tenho aproveitado para fazer quando me sinto melhor e perguntou à Dra. se eu as podia fazer. “A Sofia não vai conseguir fazer aulas dessas!” Eu e a minha mãe olhámos uma para a outra. “Não, não está a perceber, ela já as fez” explicou a minha mãe. A Dra. Joana ficou definitivamente surpreendida, “A aula toda?”. Sim, todos os 60 minutos de dança. Sim, eu também estava surpreendida. Estou mais lenta e canso-me mais rapidamente, mas aguentei as aulas todas! E se mais aulas houvessem, a mais aulas eu iria! Sabe tão bem dançar e divertir-me com amigos e não me lembrar que estou doente…
Bem, se eu aguento, então posso fazer as aulas todas que eu quiser!

Tive novamente direito a uma cama para fazer o tratamento, que continua a passar rapidamente comigo a dormir o tempo todo.

Comprámos na farmácia, por indicações de amigas da minha mãe, umas pulseiras anti-enjoo. São dois elásticos, um para cada pulso, com um botão que faz pressão num ponto que alivia os enjoos. São super fáceis de colocar, a caixa tem instruções, e pode-se tirar e meter quantas vezes quisermos, molhar e lavar e tudo. As que comprámos chamam-se Sea Band, não sei se há outras marcas, e existem em tamanho de adulto e criança.
Comecei também a tomar cápsulas de carvão vegetal, cerca de 4 por dia, para que absorvessem todos os químicos no meu sistema.
Entre estes dois novos produtos, a minha recuperação foi muito melhor! Não tive enjoos, nem a sensação de espuma no estômago que tenho tido, nem nada que se parecesse! No primeiro dia estava cansadíssima, claro, de tal forma que nem tinha forças para falar, mas era de esperar. Mas no 3o dia já estava a ir às compras com a minha mãe e avó e a jantar fora!

Faltam 3 sessões e parece que já descobri o truque para uma recuperação rápida e quase indolor!

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Consultas com o Dr. Fritz

Para os interessados, o Dr. Rubens vai voltar a estar em Portugal ainda este mês. As consultas são em Oeiras, e podem ser marcadas para dia 21 ou 22 de Outubro através do telefone: 91 634 08 63.

Quem tiver mais questões não hesite em entrar em contacto comigo – responderei a tudo o que puder.

4º ciclo de quimioterapia

Gostava de ter escrito, novamente, depois do tratamento, mas durante as últimas semanas bastava-me pensar na quimioterapia e o meu estômago dava uma volta. É psicológico, claro, tal como o frango cozido com arroz integral que comi depois do primeiro ciclo e que agora me dá vómitos só de pensar…

Chegámos cedíssimo ao IPO, desta vez para eu fazer análises no próprio dia. As análises são rápidas e fáceis, é só tirar um bocadinho de sangue (3 tubinhos) e fazer recolha de urina para outros dois e já está. Mas, para variar, a consulta com a Dra. Joana Parreira atrasou. Atrasou tanto que a mãe já tinha ido buscar o livro de reclamações quando finalmente me chamaram.

A Dra. é sempre muito despachada, nem me deixa sentar na cadeira – logo para a maca! Apalpa aqui, ausculta ali, verifica a garganta. Está tudo bem. Há queixas? Não? Óptimo, vamos lá então.
Perguntei do TAC, que ainda não tinha sido marcado pelo IPO, como era de esperar, e pedi uma requisição para fazer fora.
“Tínhamos falado em 8 ciclos não era? Não devemos precisar de todos!” Disse, ao passar a requisição. Pelos vistos também ela estava surpreendida com os resultados do primeiro raio-x após a quimioterapia.
Mostrei também os resultados do ecodoppler que tinha feito – está tudo de volta ao normal. Podia deixar de tomar injeções e passar aos comprimidos, mas isso implicava tomar mais uns comprimidos todos os dias durante mais uns quantos meses. Em vez disso vou passar para metade da dose das injeções de enoxaparina e, depois do resultado do TAC, em princípio deixo mesmo de tomar o que quer que seja! Pelo menos parte do tratamento resultou!

Voltei a ter direito a um quarto para fazer a quimioterapia, e ainda bem. Assim que o tratamento começa eu adormeço e só acordo mesmo no fim, quando começa a haver mais movimento no quarto.

A recuperação da quimio está a tornar-se mais longa e difícil, com mais enjoos e náuseas e quebras de tensão. Mas tenho de ficar positiva e saber que já vou a mais de metade do tratamento – estou próxima do fim da batalha.

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Deveria preocupar-me com o facto de que a minha ficha no IPO ainda é em papel?

E, quando sou vista por uma médica nova, ter de ser eu a explicar o que tenho porque ela não consegue ler a letra da colega?

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Dr. Rubens / Dr. Fritz

Há coisas que o melhor é não tentarmos entender. Há coisas que, realmente, quanto mais tentamos entender menos compreendemos e menos sentido fazem. E então nós aceitamos, acreditamos, e esperamos, com todas as forças, que ajudem.

O Dr. Rubens é uma dessas coisas. O Dr. Rubens é um senhor brasileiro, com cerca de 60 anos, que há cerca de 30 anos diz ter encarnado o espírito de um médico alemão da 1a guerra mundial – o Dr. Fritz. Se me tivessem dito só isto eu ter-me-ia rido e achado que estava na presença de um charlatão e virado as costas; mas a história não acaba aí.
Há mais de 10 anos um colega do meu pai tinha um filho em estado terminal no hospital com leucemia; desesperado, o senhor foi ao Brasil procurar o Dr. Rubens. Porque o filho estava internado o Dr. Rubens não lhe podia chegar, então sugeriu dar uma injecção no pai que iria curar o filho. Pediu-lhe que avisasse no hospital que o miúdo ia ter febres de 40•, mas que não lhe deviam dar nada que a febre ia baixar sozinha e, depois, ele ficaria bem. A verdade é que já se passaram mais 10 anos e o miúdo, que já não é miúdo nenhum, está bem e sem sinal de leucemia.
Há 8 anos atrás um amigo dos meus pais descobriu que tinha os valores do PSA altíssimos; os hospital deu-lhe 6 meses de vida. O Dr. Rubens viu-o, deu-lhe umas injecções, e receitou-lhe alguns medicamentos naturais. Oito anos depois o senhor continua cá, contra todas as expectativas.
Como estes exemplos temos muitos outros, incluindo uma enfermeira que auxiliou o Dr. Rubens durante uns anos cá em Portugal e o viu a operar sem sangue, e, quem tiver curiosidade, pode procurar no youtube vários vídeos das operações do Dr. Rubens (ou do Dr. Fritz).

Dito isto, é a quinta vez que vejo o Dr. Rubens desde o meu diagnóstico. As primeiras duas vezes vimo-nos no Brasil, de urgência, ainda antes de eu começar a quimio. Foi o Dr. Rubens que me alertou para várias alterações que eu tinha de fazer na minha alimentação e que me deu muitos suplementos. Para além disso no primeiro dia deu-me uma injecção perto do tumor (por debaixo do braço), que repetiu no segundo dia, juntamente com uma injecção na coluna. O que ele injecta nós não sabemos e, na realidade, não questionamos – talvez seja melhor assim. O que é certo é que, mesmo a tomar injecções de enoxaparina de 12 em 12 horas, nenhumas das injecções sequer fez uma gotinha de sangue e, a injecção na coluna, que me deixou apreensiva, não doeu mais do que uma vacina.

O Dr. Rubens veio a Portugal esta semana, para dar consultas no dia 14, 15 e 16, e pediu para me ver nos três dias. Não sabíamos o que é que ele ia fazer ou dizer e isso deixa-me sempre nervosa. Mas o Dr. Rubens é muito simpático e, como a minha mãe diz, humano.
Mal entramos no consultório ele sorri e diz no seu sotaque brasileiro “Ah, como você está óptima!”, o que nos deixa muito à vontade. Na primeira consulta perguntou como as coisas estavam a correr, voltou a falar no sumo horrível que eu devo beber, e perguntou sobre os suplementos. Felizmente eu tinha levado a lista que tinha entregue à Dra. Joana comigo, e pude mostra-la.
“Quem deu isso aí?” perguntou a meio da lista.
“O Doutor…” respondemos confusas.
“Homem inteligente, esse!” riu-se.
Depois de verificar toda a lista concluiu que eu estava a tomar Vitamina C em demasia, ou melhor, desnecessária, porque o corpo não a absorve na totalidade por via oral e, por isso, o que excede o que o corpo necessita, é descartado. Depois retirou os dois suplementos que a Romilda tinha indicado, que estavam no meio da lista, antes mesmo de eu dizer que tinha sido outra pessoa a indicar, e acrescentou mais uma lista de suplementos e medicamentos homeopáticos para começar a tomar o quanto antes.
A consulta ficou por aí.

As outras duas consultas foram muito semelhantes entre si, embora a minha companhia sempre diferente – a mãe, o pai e até a Susana foram conhecer o Dr. Rubens. O Dr. recebe-nos com um grande sorriso, um aperto de mão, pergunta-me se está tudo bem e depois “Vamos a isso?”.
Deito-me na marquesa sem a t-shirt e pergunto “Hoje quantas são?”
“Vamos dar três injecções hoje, não tem problema não” responde o Dr. Rubens, enquanto tenta retirar a capsula de protecção de um frasco de vidro.
“Onde?”
“Uma aqui” aponta para a zona da clavícula, “outra por baixo do braço e outra na coluna.”
Eu confesso-lhe que a injecção na coluna me deixa nervosa, que ouve-se falar tanto em pessoas que ficaram paralisadas e que dói imenso e que, mesmo já a tendo experimentado, sem problemas, me deixa mais inquieta.
“Já viu isso? O que a preocupa é onde vai levar a injecção!” riu-se para o meu pai. “Mas não se preocupa não, há anos que dou essa injecção e nunca ninguém ficou paralisado!”
Desinfecta a seringa, enche-a com o conteúdo transparente do frasco, e aproxima-se de mim.
“Fala coisa boa” pede-me, apalpando a minha clavícula esquerda e a zona adjacente.
E eu conto o que me lembro, qualquer coisa mesmo, como o facto de que a minha peruca veio dos Estados Unidos, oferecida por uma rapariga simpática que eu nem conheço. O Dr. pede-me para levantar o braço, desinfecta a área perto da minha axila, e comenta em como os mídia ajudam nestas coisas boas, também. Mais uma injecção.
“Agora vamos deitar de lado, em injecção fetal mesmo.” Eu obedeço. “Fala outra coisa boa.”
“Erg, não sei…”
“O que comeu ontem para o jantar?” perguntou-me o médico na última consulta, quando eu esgotei ideias do que contar.
“Ontem… Ontem comi o arroz de frango que a Susana queria comer!”
“Está a doer?” perguntou-me o Dr. Rubens.
Não, não estava. Nem tinha sentido a picada. Ele bateu na seringa ou em mim, não sei bem, e perguntou novamente “Dói alguma coisa?”
“Não.”
“E agora?”
“Não.”
“Já está. Pode vestir.”
E não me tinha doido nada. Absolutamente nada.
O Dr. Rubens voltou a sentar-se à secretária e eu sentei-me à frente dele, a arranjar o turbante, que entretanto se tinha desfeito. Ele volta cá em Outubro e quer ver-me novamente. Expliquei-lhe que, nessa altura, já deveria ter o resultado do próximo TAC e, esperávamos nós, se calhar já não precisaria de fazer quimioterapia.
Infelizmente o Dr. Rubens não parece tão certo disso – mesmo que o tumor tenha desaparecido, segundo ele, a medicina tradicional vai querer fazer mais sessões para garantir que não volta mais. Essa não foi a ideia com que eu fiquei da conversa com a médica mas, realmente, parece algo que os médicos tradicionais fariam.
Depois das injecções fiquei deitada no carro, à porta do consultório, durante uma hora – uma medida de precaução para que eu não tivesse problemas de pressão arterial ou tonturas.

Quem pode passar por tudo isto e não ter quase efeitos secundários da quimioterapia, e dizer que não acredita no Dr. Rubens e no Dr. Fritz?

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