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5º ciclo de quimioterapia

E já vou a mais de metade do tratamento!

Depois de muitas confusões com os horários dos médicos do IPO e com o facto de que o meu processo, em papel, precisa de 3 horas para ir de um edifício para outro – deve precisar de crescer pernas primeiro – finalmente consegui ir à consulta com a psicóloga. A psicóloga foi bastante mais normal e humana do que eu estava à espera, baseada numa experiência que tive com 12 anos, e, embora tivesse interrompido a consulta para atender um telefonema interno, correu bastante bem. Deveria lá voltar em breve, mas ao olhar para a agenda a psicóloga percebeu que “em breve” queria dizer mais de um mês depois. Não é como se eu tivesse a fazer alguma coisa que precisasse de acompanhamento ou estivesse doente ou assim…

Levei depois o TAC da 4a sessão à Dra. Joana, para avaliarmos o progresso. Embora também esta médica tivesse de atender um telefonema a meio da consulta, explicou-me que o tumor tinha reduzido para menos de 1/5 do tamanho, ou seja, tinha 403 cm3 antes da quimioterapia e agora já só tinha 90 cm3! No entanto ainda não está pequeno suficiente para os médicos tradicionais me considerarem curada e terei de continuar a quimioterapia até Dezembro, como inicialmente previsto.
Ainda tentei fazer outro TAC depois da 6a sessão, para confirmar que realmente teria de fazer as 8, mas os médicos tradicionais são assim e as coisas são feitas, muitas vezes, mais pelo livro do que pelo resultado – normalmente são precisas 8 sessões, vou ter de as fazer.
Antes de terminar a consulta também perguntei sobre as dores de garganta que tenho tido, e sobre estar preocupada com ficar doente, especialmente depois de ter ficado já uma semana internada. Mas as análises estavam bem e a minha garganta só parecia um bocadinho mais vermelha do que o normal, portanto não era para me preocupar.
“Tem tido febre?” perguntou-me. Não, acho que não, mas não medi por não me sentir febril. A minha mãe pediu para eu me aproximar e encostou-me os lábios à testa. “Não, não tem febre” disse à médica. E a médica nem quis confirmar; que método tão científico! “Vá controlando, se tiver febre, vem ao hospital” disse a médica, com um ar descansado. Pois, mas se eu chegar a ter febre então tenho de ficar internada! Porque não me dão qualquer coisa antes? Perguntámos especificamente se eu podia, ao menos, chupar pastilhas para aliviar e desinfectar e assim. “Eu não tomo, não acho que façam muito, mas se quiser tomar…” Também não está a fazer quimioterapia, pois não?
A minha mãe tem estado preocupada com as aulas de Zumba e Bodyjam que eu tenho aproveitado para fazer quando me sinto melhor e perguntou à Dra. se eu as podia fazer. “A Sofia não vai conseguir fazer aulas dessas!” Eu e a minha mãe olhámos uma para a outra. “Não, não está a perceber, ela já as fez” explicou a minha mãe. A Dra. Joana ficou definitivamente surpreendida, “A aula toda?”. Sim, todos os 60 minutos de dança. Sim, eu também estava surpreendida. Estou mais lenta e canso-me mais rapidamente, mas aguentei as aulas todas! E se mais aulas houvessem, a mais aulas eu iria! Sabe tão bem dançar e divertir-me com amigos e não me lembrar que estou doente…
Bem, se eu aguento, então posso fazer as aulas todas que eu quiser!

Tive novamente direito a uma cama para fazer o tratamento, que continua a passar rapidamente comigo a dormir o tempo todo.

Comprámos na farmácia, por indicações de amigas da minha mãe, umas pulseiras anti-enjoo. São dois elásticos, um para cada pulso, com um botão que faz pressão num ponto que alivia os enjoos. São super fáceis de colocar, a caixa tem instruções, e pode-se tirar e meter quantas vezes quisermos, molhar e lavar e tudo. As que comprámos chamam-se Sea Band, não sei se há outras marcas, e existem em tamanho de adulto e criança.
Comecei também a tomar cápsulas de carvão vegetal, cerca de 4 por dia, para que absorvessem todos os químicos no meu sistema.
Entre estes dois novos produtos, a minha recuperação foi muito melhor! Não tive enjoos, nem a sensação de espuma no estômago que tenho tido, nem nada que se parecesse! No primeiro dia estava cansadíssima, claro, de tal forma que nem tinha forças para falar, mas era de esperar. Mas no 3o dia já estava a ir às compras com a minha mãe e avó e a jantar fora!

Faltam 3 sessões e parece que já descobri o truque para uma recuperação rápida e quase indolor!

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