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2014 em selfies

2014

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8º e último (espero eu) ciclo de quimioterapia

Acabou. Ou pelo menos toda a gente espera que tenha acabado. É possível que o pesadelo tenha acabado assim tão depressa e que a minha vida possa voltar ao normal?

Na última consulta com a Dra. Joana Parreira a doutora informou-nos de que a partir de dia 15 de Janeiro já não estaria a trabalhar no IPO, mas que para mim não devia ser problema – ela está crente de que só terei de ir mostrar os exames e receber alta. Assim, fez já o pedido de transferência do meu processo (aquele de papel, sim, que tem de ser fotocopiado e depois enviado por fax e correio) para o IPO do Porto, para que me seja mais fácil fazer as consultas de seguimento.

Numa consulta um bocadinho mais longa do que o normal a Dra. voltou a afirmar que estava crente de que eu não precisaria de mais tratamentos, que os pacientes que mostram uma remissão tão grande em apenas 4 ciclos geralmente ao final de 8 estão curados, que eu continuo com óptimo aspecto e, por isso, não há razão para suspeitar que alguma coisa não tenha acontecido de acordo com os planos.

Antes de se despedir de mim, no entanto, a doutora explicou-me o que poderia acontecer na pequena probabilidade de eu não estar curada: radioterapia, auto-transplante de medula ou, em último caso, mais quimioterapia. Mas em princípio não preciso de me preocupar nem de pensar em nada disso.

Talvez tenha sido da excitação do Natal, ou por saber que era o último e tinha acabado, mas ao segundo dia de recuperação já não tinha enjoos, apenas o mal estar que é constante. Saí de casa todos os dias, jantámos fora e fomos às compras: afinal já estou curada.

Agora é só esperar. “Só”, como se não fosse horrível esperar na incerteza, sabendo que, por mais pequena que seja, há uma chance de que o pesadelo não tenha terminado.

Faço o próximo TAC de novo nos SAMS, onde tenho acesso quase imediato aos resultados, no dia 14 de Janeiro, no entanto o TAC não garante nada – o tumor pode ainda cá estar e eu estar curada na mesma. Mas pode cá estar o tumor e continuar a ser maligno. Isso só o PET, no final de Janeiro, o dirá.

Entretanto eu volto com parte da minha vida ao normal: volto ao Porto, recomeço a fazer exercício (devagarinho), e a ter as preocupações que tinha antes das minhas prioridades terem dado uma volta de 180º. Em Fevereiro terei certezas, até lá só posso mesmo esperar.

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A chegar ao fim

É verdade, já só me falta um ciclo! Felizmente o tempo passou bem mais depressa do que pensei quando a médica me disse, inicialmente, que seriam 8 meses de tratamento. Dia 16 (próxima terça-feira) faço o que, espero, seja o último tratamento de quimioterapia.

Felizmente nos últimos tratamentos não houve muitas alterações nem surpresas. As pulseiras anti-enjoo continuam a funcionar na perfeição, de tal forma que no dia seguinte ao último ciclo consegui estar a acordada o dia todo, preparar o bolo de aniversário da mãe e ficar acordada durante todo o jantar! O meu cabelo continua a crescer, embora não me pareça que seja o final – está fino como o dos bebés.

As consultas de psicologia do IPO são uma piada – consultas de 30 minutos uma vez por mês. Como é que é suposto eu ter apoio suficiente em 30 minutos por mês para algo tão complicado e life changing como cancro? Decidimos, então, procurar apoio no privado e, graças à recomendação da minha irmã Sara, acertei à primeira com a Dra. Tenho feito consultas semanais e as diferenças, pelo menos para mim, são notórias – menos um peso (ou parte dele) nos meus ombros. Ainda tenho uma consulta de psicologia no IPO na próxima semana, mas mais para informar que já não vou precisar de mais consultas e para, se a Dra. quiser, entrar em contacto com a minha actual psicóloga.

Tenho de, oficialmente, recomendar o livro A culpa é das estrelas do John Green a todos os que estejam interessados em compreender, um bocadinho, o que é estar deste lado – lidar, de repente, e tão cedo, com a nossa mortalidade e todos estes tratamentos. Embora o John Green não tenha passado por esta situação, trabalhou durante algum tempo com crianças com doenças mortais e baseou o livro no diário de uma rapariga real cuja história não terminou de forma feliz; para além disso a abordagem é muito real – afinal, e a maior parte das pessoas é culpada disso, as pessoas não passam a ser anjos e perfeitas só porque têm cancro. Eu sou a mesma pessoa, ou quase, que era antes – continuo a ter os meus defeitos e as minhas qualidades, não sou, de repente, melhor pessoa por ter passado por isto. E sim, há cancer perks e eu também me aproveito deles por vezes.

Voltando à parte médica disto: na última consulta, a Dra. Joana Parreira marcou o meu PET para o final de Janeiro para ter a certeza de que não há falsos positivos por ter vestígios de quimioterapia ainda no corpo, porque ela acha que não serão necessários mais tratamentos de qualquer tipo. Para um médico dar esperanças é porque a probabilidade é mesmo muito boa, certo?

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5º ciclo de quimioterapia

E já vou a mais de metade do tratamento!

Depois de muitas confusões com os horários dos médicos do IPO e com o facto de que o meu processo, em papel, precisa de 3 horas para ir de um edifício para outro – deve precisar de crescer pernas primeiro – finalmente consegui ir à consulta com a psicóloga. A psicóloga foi bastante mais normal e humana do que eu estava à espera, baseada numa experiência que tive com 12 anos, e, embora tivesse interrompido a consulta para atender um telefonema interno, correu bastante bem. Deveria lá voltar em breve, mas ao olhar para a agenda a psicóloga percebeu que “em breve” queria dizer mais de um mês depois. Não é como se eu tivesse a fazer alguma coisa que precisasse de acompanhamento ou estivesse doente ou assim…

Levei depois o TAC da 4a sessão à Dra. Joana, para avaliarmos o progresso. Embora também esta médica tivesse de atender um telefonema a meio da consulta, explicou-me que o tumor tinha reduzido para menos de 1/5 do tamanho, ou seja, tinha 403 cm3 antes da quimioterapia e agora já só tinha 90 cm3! No entanto ainda não está pequeno suficiente para os médicos tradicionais me considerarem curada e terei de continuar a quimioterapia até Dezembro, como inicialmente previsto.
Ainda tentei fazer outro TAC depois da 6a sessão, para confirmar que realmente teria de fazer as 8, mas os médicos tradicionais são assim e as coisas são feitas, muitas vezes, mais pelo livro do que pelo resultado – normalmente são precisas 8 sessões, vou ter de as fazer.
Antes de terminar a consulta também perguntei sobre as dores de garganta que tenho tido, e sobre estar preocupada com ficar doente, especialmente depois de ter ficado já uma semana internada. Mas as análises estavam bem e a minha garganta só parecia um bocadinho mais vermelha do que o normal, portanto não era para me preocupar.
“Tem tido febre?” perguntou-me. Não, acho que não, mas não medi por não me sentir febril. A minha mãe pediu para eu me aproximar e encostou-me os lábios à testa. “Não, não tem febre” disse à médica. E a médica nem quis confirmar; que método tão científico! “Vá controlando, se tiver febre, vem ao hospital” disse a médica, com um ar descansado. Pois, mas se eu chegar a ter febre então tenho de ficar internada! Porque não me dão qualquer coisa antes? Perguntámos especificamente se eu podia, ao menos, chupar pastilhas para aliviar e desinfectar e assim. “Eu não tomo, não acho que façam muito, mas se quiser tomar…” Também não está a fazer quimioterapia, pois não?
A minha mãe tem estado preocupada com as aulas de Zumba e Bodyjam que eu tenho aproveitado para fazer quando me sinto melhor e perguntou à Dra. se eu as podia fazer. “A Sofia não vai conseguir fazer aulas dessas!” Eu e a minha mãe olhámos uma para a outra. “Não, não está a perceber, ela já as fez” explicou a minha mãe. A Dra. Joana ficou definitivamente surpreendida, “A aula toda?”. Sim, todos os 60 minutos de dança. Sim, eu também estava surpreendida. Estou mais lenta e canso-me mais rapidamente, mas aguentei as aulas todas! E se mais aulas houvessem, a mais aulas eu iria! Sabe tão bem dançar e divertir-me com amigos e não me lembrar que estou doente…
Bem, se eu aguento, então posso fazer as aulas todas que eu quiser!

Tive novamente direito a uma cama para fazer o tratamento, que continua a passar rapidamente comigo a dormir o tempo todo.

Comprámos na farmácia, por indicações de amigas da minha mãe, umas pulseiras anti-enjoo. São dois elásticos, um para cada pulso, com um botão que faz pressão num ponto que alivia os enjoos. São super fáceis de colocar, a caixa tem instruções, e pode-se tirar e meter quantas vezes quisermos, molhar e lavar e tudo. As que comprámos chamam-se Sea Band, não sei se há outras marcas, e existem em tamanho de adulto e criança.
Comecei também a tomar cápsulas de carvão vegetal, cerca de 4 por dia, para que absorvessem todos os químicos no meu sistema.
Entre estes dois novos produtos, a minha recuperação foi muito melhor! Não tive enjoos, nem a sensação de espuma no estômago que tenho tido, nem nada que se parecesse! No primeiro dia estava cansadíssima, claro, de tal forma que nem tinha forças para falar, mas era de esperar. Mas no 3o dia já estava a ir às compras com a minha mãe e avó e a jantar fora!

Faltam 3 sessões e parece que já descobri o truque para uma recuperação rápida e quase indolor!

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4º ciclo de quimioterapia

Gostava de ter escrito, novamente, depois do tratamento, mas durante as últimas semanas bastava-me pensar na quimioterapia e o meu estômago dava uma volta. É psicológico, claro, tal como o frango cozido com arroz integral que comi depois do primeiro ciclo e que agora me dá vómitos só de pensar…

Chegámos cedíssimo ao IPO, desta vez para eu fazer análises no próprio dia. As análises são rápidas e fáceis, é só tirar um bocadinho de sangue (3 tubinhos) e fazer recolha de urina para outros dois e já está. Mas, para variar, a consulta com a Dra. Joana Parreira atrasou. Atrasou tanto que a mãe já tinha ido buscar o livro de reclamações quando finalmente me chamaram.

A Dra. é sempre muito despachada, nem me deixa sentar na cadeira – logo para a maca! Apalpa aqui, ausculta ali, verifica a garganta. Está tudo bem. Há queixas? Não? Óptimo, vamos lá então.
Perguntei do TAC, que ainda não tinha sido marcado pelo IPO, como era de esperar, e pedi uma requisição para fazer fora.
“Tínhamos falado em 8 ciclos não era? Não devemos precisar de todos!” Disse, ao passar a requisição. Pelos vistos também ela estava surpreendida com os resultados do primeiro raio-x após a quimioterapia.
Mostrei também os resultados do ecodoppler que tinha feito – está tudo de volta ao normal. Podia deixar de tomar injeções e passar aos comprimidos, mas isso implicava tomar mais uns comprimidos todos os dias durante mais uns quantos meses. Em vez disso vou passar para metade da dose das injeções de enoxaparina e, depois do resultado do TAC, em princípio deixo mesmo de tomar o que quer que seja! Pelo menos parte do tratamento resultou!

Voltei a ter direito a um quarto para fazer a quimioterapia, e ainda bem. Assim que o tratamento começa eu adormeço e só acordo mesmo no fim, quando começa a haver mais movimento no quarto.

A recuperação da quimio está a tornar-se mais longa e difícil, com mais enjoos e náuseas e quebras de tensão. Mas tenho de ficar positiva e saber que já vou a mais de metade do tratamento – estou próxima do fim da batalha.

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3º ciclo de quimioterapia

Deveria ter escrito mais sobre o terceiro ciclo de quimioterapia, e mais cedo, mas ainda vou a tempo de o registar antes de um novo ciclo.

A Dr. Joana Parreira estava de férias na altura da minha consulta/quimioterapia, pelo que fui atendida pela Dr. Francesca. Levei-lhe o raio-x que me tinham feito nas urgências do Hospital de Alfena quando fui internada, no mês passado, para que guardassem o registo e para que pudéssemos avaliar a evolução do tumor. Também tinha feito, logo depois do 2º tratamento de quimioterapia, um raio-x no IPO, que queríamos comparar. A Dr. mostrou-nos os dois e meteu-os lado a lado com o primeiro raio-x que me tinham feito, mesmo antes de eu começar a tomar a cortisona, e fez umas medições para que tivéssemos uma ideia da proporção do tumor. Se, inicialmente, o tumor tinha quase 13 cm de largura, no final do primeiro ciclo já só tinha 10 cm.
Claro que isto ainda parece enorme, mas só tinha feito um ciclo de quimioterapia e ainda não tinha feito o 2º tratamento com o Dr. Fritz, para além de que a primeira batalha é fazer com que o tumor tenha menos de 5 cm.

Os 5 cm pode parecer muito aleatório, mas as duas Dras. partilham da mesma opinião – se o tumor tiver menos de 5 cm no TAC, fazemos um PETC para verificar se o tumor ainda está activo (e por isso continua a tentar multiplicar-se) ou se passou a ser benigno, ou seja, podemos deixa-lo estar, mantendo vigilância, mas não tenho de fazer nenhum outro tipo de tratamento. Com menos de 5 cm mas activo teremos de pensar noutros tratamentos, como a radioterapia, ou continuar com a quimioterapia, mas isso é uma outra batalha, para a qual só iremos planear se o momento chegar.

O 3º ciclo de quimioterapia atrasou-se mais de uma hora e, quando finalmente me chamaram, pediram que me dirigisse ao hospital de dia 2 e não ao 1, como no 2º ciclo. Afinal os tratamentos são mesmo como nos filmes – uma sala (vá, um barracão de alumínio transformado em sala de tratamento) nas traseiras do edifício com vários cadeirões reclinados à volta, todos eles ocupados excepto o meu, e duas enfermeiras que falavam alto entre elas. Eu entrei com a minha taça de sopa por comer e sentei-me no meu cadeirão em silêncio. Não me perguntaram nada e eu nada disse. Tirei da mala tudo o que podia precisar, se não ia dormir – um livro, o telemovel e os phones. Comi a sopa e esperei pela enfermeira. Inicialmente pensei não precisar de uma manta, afinal até estava bastante calor na rua, mas rapidamente percebi que o ar condicionado estava mesmo por cima de mim e estava gelado. Pedi uma manta pouco depois de começar o tratamento, mas acabei por ter de pedir uma segunda e, com as duas mãos ocupadas, uma com o catéter, a outra com o medidor de pulsação e de tensão arterial, tentei cobrir-me o melhor que pude. O sono foi rápido, novamente, mas o cadeirão é muito desconfortável, em comparação com a cama dos dois tratamentos anteriores, e eu cabeceei durante as 4 horas do tratamento, ora para a esquerda, ora para a direita.

A recuperação do tratamento foi, também, muito pior do que as anteriores – mais enjoos e mau estar, mais cansaço e indisposição… mas nada que eu não consiga ultrapassar! Só passado 7 dias é que comecei a sentir-me mais normal, bastante mais tempo do que no 1º e 2º ciclos, mas descobri que a água com gás é a minha melhor amiga nestas alturas e estar a descansar ajuda muito.

A segunda semana do ciclo traz os dias de menor imunidade, ou seja, nada de espaços públicos. Felizmente a minha irmã Sara precisava de ajuda a montar os móveis da sua casa nova e, embora eu me sentisse cansada e não pudesse ajudar muito, foi óptimo poder sair e sentir-me algo útil por algumas horas.

Ter a vida em pausa está a começar a afectar-me mais do que alguma vez imaginei. Não tenho pressa para fazer nada e tenho vontade de fazer muito pouco – não tenho trabalho, mas também não posso começar agora a procurar, não há pressa para fazer a tese porque não a vou apresentar antes de Abril e não posso trabalhar com os meus orientadores enquanto estiver por Lisboa, não posso publicitar o Chá das Cinco nem trabalhar em novas receitas, porque não tenho os meus materiais e nem devo comer nada com açúcar (e é impossível fazer e não comer nunca), para além de que, durante um largo espaço de tempo, a ideia de cozinhar enjoa-me.

Por isso esta semana passada vim ao Porto. Foi uma lufada de ar fresco. Durante uma semana não me senti doente, não senti que o meu dia era contado em comprimidos e injecções, não estava fechada em casa à espera que o tempo passasse. Os meus amigos foram cinco estrelas e vieram até minha casa nos primeiros dias, para que eu não tivesse de estar em locais públicos, e, depois, começaram a levar-me a fazer as coisas que sabem que eu gosto – tomar chá, passear junto ao mar, passar horas na conversa… Não podia ter pedido uma semana melhor, mesmo com toda a gente a trabalhar!

Agora estou pronta para o 4º ciclo de quimioterapia, na terça-feira, com um novo animo e muita força. Afinal, já vou a meio da batalha.

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2º ciclo de quimioterapia

Ontem voltámos ao IPO para mais uma consulta com a Dra. Joana e para o segundo ciclo de quimioterapia.

A consulta estava marcada para as 9h40 mas, para variar, fui atendida duas horas depois. As análises que tinha feito na segunda-feira estavam óptimas, a Dra. fez apalpação e não encontrou nenhum problema com os gânglios, e portanto estava tudo OK para passar à quimioterapia.

Aproveitei, então, para fazer algumas perguntas e esclarecer algumas confusões e informações contraditórias.
• A Dra. Joana não confirma que o açúcar faça pior às células cancerígenas – eu continuo a achar que é boa ideia evitar, mas não preciso de fugir de tudo o que tem açúcar como o diabo da cruz;
• Posso ir à praia desde que o faça como um bebé: sol só entre as 8h e as 10h ou as 18h e as 20h, sempre com factor 50. Até posso tomar banho no mar, embora não esteja a ver isso a acontecer…
• A altura em que estou mais susceptível a doenças não é logo depois da quimio, mas sim entre o 8o e o 13o dia, ou seja, nessas alturas é que convém não ir a sítios públicos, onde é mais fácil contrair doenças;
• Posso fazer todo o exercício físico que me faça sentir bem, ou seja, não estou proibida de fazer nada desde que eu aguente e me sinta bem durante e depois. É normal que não tenha tanta força/cardio como tinha antes do tratamento, mas isso não implica que eu fique sentada o dia todo;

Para além destas novas informações a Dra. prescreveu-me já as injecções do factor de crescimento, para eu tomar ao 8o dia depois da quimio, para evitar a descida dos glóbulos brancos. Como estas injecções, que me foram dadas durante o internamento no Porto, me deram imensas dores de ossos (estimulam a medula, logo os ossos doem), posso tomar analgésicos durante os 3 dias de injecções e, se as dores forem mesmo muitas, devo só fazer 2 dias. Em princípio isto evitará outra visita ao internamento.

Falei também com a Dra. sobre todos os suplementos que estou a tomar, ao que a Dra. confessou nem conhecer alguns deles e estar apenas preocupada com os efeitos secundários ou efeitos maximizados pelos medicamentos incluídos na quimioterapia. Eu voltei a tomar os suplementos hoje e vamos ver como as coisas andam, o mais fácil é ir avaliando com a passagem do tempo.

Eu e a Dra. partilhamos alguma curiosidade em ir vendo a evolução regressão do tumor, pelo que fiz novamente um raio-x depois da consulta e tenho outro marcado para daqui a 3 semanas, antes da próxima sessão de quimioterapia.

Mal tinha acabado a consulta quando me telefonaram a dizer que podia fazer a quimioterapia uma hora antes – óptimo. Fui entrando enquanto a mãe e o Ruca tratavam de marcar consultas e levantar prescrições médicas. Eu pensava que a quimio era feira em cadeiras numa sala “pública”, mas afinal é em pequenos quartinhos com uma cama – e ainda bem! Antes do Ruca ter tempo de me encontrar já me tinham dado o antihistaminico intravenoso, e eu estava a adormecer rapidamente! O pobre do Ruca ficou quase 4 horas a olhar para mim a dormir, sentado numa cadeira desconfortável! Se isto for sempre assim mais vale deixarem-me sozinha, ao menos não me sinto mal por estar a dar uma grande seca a quem lá estiver.

Sempre ouvi dizer que fazer a quimio era uma coisa horrível – não me interpretem mal, os efeitos secundários não são nada fáceis e eu estou a ter muita sorte por enquanto – mas a sessão quimioterapia em si não é nada de mais! Cheguei ao meu quartinho, ajeitaram-me a cama, deram-me uma manta e puseram-me um cateter. Depois deixaram-me com um monitor de tensão e pulsação que ia medindo de 30 em 30 minutos e começaram a dar-me o ben-u-ron intravenoso, ou seja, no cateter. Depois o antihistaminico. Vem o sono, começo a adormecer e atropelar as palavras, mas estou deitadinha na cama, não tem problema nenhum. Eventualmente a enfermeira troca os sacos da medicação e começo a fazer a quimioterapia sem sequer dar por isso. No meio disto, por ser hora de almoço, ainda me trouxeram uma sopa e uma maçã assada. No fim a enfermeira veio acordar-me, tirar o cateter e já está. Saio com sono e a querer dormir 24 horas, mas é só isso.
Eu sei que tudo isto depende de pessoa para pessoa, mas pelo que vi nos quartos ao lado, toda a gente dorme e ninguém parecia agitado sequer.

Ontem às 17h já estava na cama e, excepto uma meia hora para beber água e tomar medicamentos, dormi até as 10h da manhã de hoje e ainda fiz outra sesta antes de almoçar.

Para além do sono estou ligeiramente enjoada, alguns cheiros fazem-me confusão, mas é só isso. Eu estou a vencer esta batalha.

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Bela Adormecida

3 dias depois do primeiro ciclo de quimioterapia os únicos sintomas são: algum enjoo com comida e dormir 12 horas seguidas só para me levantar para comer e tomar medicamentos e voltar a dormir mais duas horas.

Se continuar assim não é nada mau!

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